Quem somos

Artes cênicas e exercício de mundo.
Diálogos e alternativas. Reflexão e
prática. Experimentação e formatos.
Investigação e lugares de fala.
Crítica e tudo isso. Crítica e nada
disso. Crítica e outras coisas.

 

Bocas Malditas. Bocas Malditas porque aqui. Bocas Malditas porque plural. Bocas porque falantes. Malditas porque insistentes. Bocas porque interessadas. Malditas porque independentes. Bocas porque abertas. Malditas porque presentes. Bocas porque fome. Malditas porque insaciáveis. Bocas porque sussurro. Malditas porque feitiço. Bocas porque discurso. Malditas porque diálogo. Bocas porque dentes língua. Malditas porque mordida lambida. Bocas porque beijo. Malditas porque Gilda.

 

Uma crítica. Uma crítica amiga. Uma crítica bicha. Uma crítica que conversa no fim. Uma crítica jovem. Uma crítica não tão jovem assim. Uma crítica que fuma. Uma crítica que fuma e traga. Uma crítica bebendo cachaça. Uma crítica bebendo cachaça, cerveja, vinho, gin tônica, café, suco de laranja e o que mais aparecer. Uma crítica que flerta. Uma crítica que dança. Uma crítica que goza. Uma crítica que vai ao banheiro durante. Uma crítica que beija. Uma crítica que perde o começo. Uma crítica com endereço. Uma crítica com passaporte vencido. Uma crítica local. Uma crítica irônica. Uma crítica que provoca e se provoca. Uma crítica com enxaqueca. Uma crítica com ataques de ansiedade e insegurança. Uma crítica maconheira. Uma crítica que caminha distraída olhando para o topo dos prédios. Uma crítica que faz piquenique. Uma crítica que flana. Uma crítica poética. Uma crítica sensível. Uma crítica intuitiva. Uma crítica louca (do tarô, da Turma da Mônica). Uma crítica libriana. Uma crítica sagitariana, com ascendente em leão e lua em áries. Uma crítica maldita. Uma crítica atriz. Uma crítica performer. Uma crítica artista. Uma crítica esquecida. Uma crítica híbrida. Uma crítica artesanal. Uma crítica sem telefone celular. Uma crítica feita no google docs. Uma crítica metalinguística. Uma crítica preta. Uma crítica americanizada. Uma crítica europeizada. Uma crítica latino-americana. Uma crítica universitária. Uma crítica novelística. Uma crítica que dorme cedo. Uma crítica que fica até fechar o bar. Uma crítica feia. Uma crítica que erra. Uma crítica sem lençóis. Uma crítica impaciente. Uma crítica acadêmica. Uma crítica cool. Uma crítica transeunte. Uma crítica feminista. Uma crítica que se abotoa inteira. Uma crítica gentil. Uma crítica com princípios e critérios. Uma crítica de brinquedo, comprada no 1,99. Uma crítica de sexshop. Uma crítica que se deixa tocar. Uma crítica bêbada, de repente. Uma crítica tombada. Uma crítica em casa. Uma crítica dos espaços e dos corações abertos. Uma crítica muito bem feita. Uma crítica épica. Uma crítica dadá. Uma crítica surrealista. Uma crítica abstrata. Uma crítica pós-estruturalista. Uma crítica filosófica. Uma crítica grotesca. Uma crítica polifônica. Uma crítica queer. Uma crítica que veio porque quis. Uma crítica que se quiser sair, que saia. Uma crítica de saia. Uma crítica com respaldo teórico. Uma crítica militante. Uma crítica histórica. Uma crítica demasiado sociológica. Uma crítica formalistíssima. Uma crítica precária. Uma crítica míope. Uma crítica gorda. Uma crítica em Curitiba. Uma crítica amiga de todas essas pessoas. Uma crítica apaixonada por essas pessoas. Uma crítica trans. Uma crítica desequilibrada. Uma crítica que xinga e se xinga. Uma crítica que nem é, exatamente, crítica. Uma crítica de redes sociais. Uma crítica de revistas especializadas. Uma crítica pichação. Uma crítica oral. Uma crítica fenomenal e fenomenológica. Uma crítica carnavalista. Uma crítica antropofágica. Uma crítica erótica. Uma crítica na boate. Uma crítica em um bote. Uma crítica em um avião. Uma crítica e a gente achando que é Uma. Umas críticas.

 

Artes Cênicas. Várias perguntas, algumas crises, e nenhuma certeza. Artes cênicas? Teatro-Dança-Performance-Musical-Circo-Mágica-etc. Visualidades-Sonoridades-Corporalidades-Espacialidades-Temporalidades-Sociabilidades-Politicidades-etc. Esboços propositadamente incompletos, em processo, em devir. Devir-cena. Não há receita de bolo; embora gostemos (e muito) de bolo.

 

Escrever sobre. Escrever sobre é necessitar apoio, repousar os papéis em tábuas de madeira. Empilhar vários livros e escrever sobre eles. Escrever sobre é sentar com as pernas cruzadas e manter seu computador equilibrado no próprio corpo. Escrever sobre tem relação com seu café favorito, com a cama do seu amor, com o chão, do qual nada supostamente passa e também com paredes antigas de prédios abandonados. Escrever sobre interfere no modo como andamos e beijamos e circulamos. Escrever sobre não surge, não aparece, não vem, despretensiosamente. Não é leve, escrever sobre – pode até ser, em algum momento, mas não será sempre. Escrever sobre requer doses desequilibradas de paixão, insistência e desconfiança. E isso significa dizer, talvez, que nunca haverá superfície ideal.

 

Pensar sobre. Pensar sobre é estar permanentemente em trânsito.Convidar. Convidar é dizer “vamos juntxs”.

Memória. Criar e editar memórias como se cria e edita uma obra de arte, como se cria e edita a própria vida. Registrar e documentar como quem registra e documenta um abraço, ou um tapa. Ou os dois.

Falar. Falar e deixar falar. Falar e desejar que falem. Falar e ouvir. Falar para ouvir. Não falar. Conjugar os verbos e os estados e os contextos em primeira pessoa, do singular, do plural. E em segunda e terceira pessoa. E perceber que não há conjugações nem pessoas suficientes.

Resistir. Resistimos porque vivemos, porque somos, porque estamos, porque amamos, desejamos, odiamos, pensamos, questionamos, criamos, assistimos, trabalhamos, convivemos, brigamos, hesitamos, excitamos, transamos, dialogamos, lutamos, erramos, porque somos atacados e enganados, porque mudamos, porque ocupamos. Resistimos porque é necessário, porque é urgente, porque gostamos, e porque não são boas as outras opções. E porque somos prolixos.

 

Editores

Francisco Mallmann é dramaturgo, performer, crítico e pesquisador. É graduado em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP) e em Comunicação Social – Habilitação Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), instituição em que se especializou em Antropologia Cultural. Atua na intersecção entre poesia, performance, crítica, dramaturgia e escrita de/em arte. Atualmente é mestrando em Filosofia (PUC-PR) e é artista residente da Casa Selvática. Vem investigando as possibilidades de diminuição das distâncias entre as suas produções dramatúrgicas, críticas, literárias e poéticas.

 

Henrique Saidel é diretor de teatro, performer, produtor, curador, pesquisador e colecionador de brinquedos. Graduado em Direção Teatral pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP, atual UNESPAR), é mestre em Teatro pela Universidade do Estado de Santa Catarina (UDESC) e doutor em Artes Cênicas pela Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO). Foi integrante da Companhia Silenciosa, com Giorgia Conceição e Leonarda Glück, sendo premiado pela Fundação Cultural de Curitiba, pela Funarte e pelo Programa Rumos Itaú Cultural. Foi e é professor da UNESPAR, no Colegiado de Artes Cênicas. Foi coordenador do GT Territórios e Fronteiras da Cena, na Associação Brasileira de Pesquisa e Pós-Graduação em Artes Cênicas (ABRACE). É co-curador e organizador da p.ARTE – Mostra de Performance Art, realizada mensalmente em Curitiba.

 

Colaboradores

Alexandre Lautert é dramaturgo, diretor e designer (gráfico, web e stage). É graduado em Comunicação Social – Publicidade e Propaganda pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e em Artes Cênicas pela Faculdade de Artes do Paraná (FAP). Especializou-se em Artes Híbridas pela Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Integrou durante dois anos o Núcleo de Dramaturgia do SESI PR e também por um ano o Núcleo de Artes Visuais da mesma instituição. Atualmente integra o grupo de escrita Membrana e é desenvolvedor do site Bocas Malditas.

 

Lidia Ueta é artista visual, natural de Castro/PR, filha de Tami Sogabe Ueta e Isao Ueta. Graduada em Administração (UNIFAE), tem Especialização em Fotografia (UNICURITIBA) e em História da Arte Moderna e Contemporânea (EMBAP). Trabalha com fotografia, vídeo, performance e ações artísticas. Participou da Bolsa Produção para Artes Visuais 5 (FCC), da exposição Tupi or not Tupi (MON), da exposição Táticas para Trocas e Atravessamentos (Sesi), de projetos da 7a. e 10a. Edição do Rede Nacional Funarte para Visuais, do Projeto Cartografias Curitiba-Granada (Iberescena), do Projeto Residência Artística Filhas da Fruta em Lisboa no C.E.M (MINC), da Bienal Internacional de Curitiba, dentre outros. É integrante do coletivo F.U.D.E.U. Vive e trabalha em Curitiba.

 

Luana Navarro é artista visual com trânsito por diversas linguagens e atuação em ações coletivas dentro e fora de instituições. Graduada em Jornalismo (PUCPR) com especialização em História da Arte Moderna e Contemporânea (EMBAP) e mestrado em processos artísticos contemporâneos na UDESC, em Florianópolis, tem interesse pela palavra, a leitura em voz alta e o corpo como dispositivo de criação. Vê seu trabalho potencializado na relação entre arte e contexto. Nos últimos anos intensificou as parcerias com artistas do teatro e da dança. É uma das criadoras da Feira da Baronesa, dedicada a comercialização de publicações independentes e em 2015 criou e coordenou a primeira edição o Núcleo de Artes Visuais do SESIPR junto com a artista Elenize Dezgeniski. É uma das artistas gestoras da Alfaiataria, espaço de/para ações e investigações artísticas. É integrante do coletivo F.U.D.E.U. Participou de exposições no Brasil, Espanha e México. www.luananavarro.com

 

Renata Roel é artista da dança residente em Curitiba (PR). Graduada em Dança pela FAP (UNESPAR). Interessa-se pela dança e seus desdobramentos educacionais e cênicos. Investe no encontro como possibilidade de criação de outras corporalidades para dançar e escrever. Em parceria com o ator Fernando de Proença realizou seus últimos trabalhos Corpo de Baile (2017), Levante (2016) e Baile (2015). É professora colaboradora no curso de Dança na UNESPAR, doutoranda no Programa de Pós-Graduação em Teatro na UDESC e mestre pelo Programa de Pós-graduação em dança pela UFBA. Participou do Programa de Pesquisa em Dança da Casa Hoffmann (Curitiba-PR) e da FIA – formação intensiva acompanhada no c-e-m (Lisboa/PT) onde conheceu a Amaranta Krepschi com quem troca continuamente escritas sobre dança, bailes e amor.