Um Chamado por Mais Liberdade – Um Manifesto em Apoio à Liberdade Artística

Um Chamado por Mais Liberdade
Um Manifesto em Apoio à Liberdade Artística

© Robin Junicke

Este chamado foi compilado por participantes do projeto Impulse ACADEMY #1 – Art under Pressure (Arte sob Pressão), que aconteceu no centro cultural Ringlokschuppen in Mülheim na região do Ruhr de 14 a 17 de junho de 2019, como parte do Impulse Theater Festival¹:

Nós o compartilhamos como um conjunto de ferramentas para reflexão:
– um texto para começar a pensar em vez de concluí-lo
– para iniciar uma conversa
– como base para criar novos fóruns de discussão
– um documento a ser adicionado ou alterado
– uma estrutura para refletir sobre as condições que possibilitam a liberdade artística.

Os itens do Manifesto foram coletados em grupo no último dia da Academia e compartilhados então com os participantes, visando um processo editorial coletivo. A Academia incluiu participantes locais e também internacionais de diferentes backgrounds, geografias e posicionamentos no campo das artes cênicas independentes; assim sendo, as afirmações abaixo não representam um grupo homogêneo e nem um posicionamento unificado. O que se compartilha são muito mais preocupações e demandas de posicionamentos diversos sobre o assunto, em forma de um documento combativo que contribui para e reflete debates atuais acerca da liberdade da arte.

Para alguns, o fortalecimento do suporte estatal e das instituições públicas são formas de se assegurar a liberdade artística. Em outros contextos, há escassez de financiamentos públicos e de infraestrutura para as artes, e a pressão política se manifesta de outras formas que ameaças de cortes orçamentários. Apesar destas diferenças, no presente documento buscamos encontrar pontos em comum quanto ao que se faz necessário para proteger, promover e cultivar a liberdade artística.

As afirmações visam, acima de tudo, promover mudanças estruturais em diferentes níveis a fim de permitir mais liberdade (artística) e de responder às urgências de nossos tempos mediante um chamamento por transformações.

Editado por Katalin Erdődi, Rose Gibbs e Julia Tirler.
Traduzido por Francisco Mallmann e Laura Nicolli.

Em nosso comunicado:
Entendemos que o preconceito, predisposições inconscientes e estruturas de poder no trabalho, também no campo cultural, conduzem à marginalização de vozes que passam, assim, muitas vezes sem serem ouvidas. É essencial que tratemos de nossos estilos/modos/meios de comunicação, como ouvintes e como falantes, se quisermos abrir espaços artísticos e garantir acesso mais democrático à liberdade artística.

  1. Nos comprometemos a escutar, a fim de nos familiarizarmos com o posicionamento uns dos outros e de darmos a todos oportunidade – tempo e espaço – de falar.
  2. Abriremos espaço para confrontação (de ideias), porém rechaçaremos julgamentos (de pessoas).
  3. Levaremos em consideração as diferentes linguagens e modos de expressão. Abriremos espaço a todas as vozes.
  4. Rechaçaremos o uso de rotulagens.

Em termos de autoria (artística ou curatorial):
Reconhecemos a complexidade da questão autoral – tanto como artistas, como curadores. Se quisermos mudar este cenário, necessitamos repensar nossas noções de ‘artista’, de ‘curador’, bem como posições de poder como a de ‘diretor artístico’ (de instituições, festivais, etc.). Necessitamos modificar fundamentalmente nossas estratégias autorais, erradicando noções de individualismo que impeçam visibilidade das contribuições coletivas nutridoras do trabalho, prestando a tais contribuições o devido reconhecimento. Na condição de programadores, precisamos questionar nosso planejamento: precisamos adotar uma política de visibilidade e representatividade no trabalho, nos programas que curamos, e também nos projetos artísticos que apresentamos e apoiamos.

  1. Ao desenvolver nosso trabalho/ ao planejar nossos programas, nós nos questionaremos: A quem é permitido/ quem pode criar formas? Quem tem estórias para contar?
  2. Rechaçaremos o uso de rotulagens e dígitos binários, tanto em nossos trabalhos como em nossos programas.
  3. Faremos uma reflexão crítica sobre hierarquias globais e nos engajaremos em uma colaboração em nível de igualdade com nossos parceiros.
  4. Nos comprometeremos a pensar em inclusão como uma prática diária.
  5. Rechaçaremos papeis atribuídos de antemão e questionaremos padrões costumeiros (de pensar e agir).
  6. Levaremos em conta as pessoas com as quais trabalhamos, bem como seus contextos, histórias e ancestralidade. Nos comprometeremos a realizar (mais) pesquisas acerca de nossos conteúdos.
  7. Assumiremos responsabilidade por e prestaremos contas de nosso trabalho, adotando a dignidade e o respeito na base de nossas interações e trocas.
  8. Daremos apoio a formas de autoria coletivas, tais como autoria de base participativa, colaborativa e comunitária.
  9. Reivindicamos o direito de sermos políticos diante das tentativas de controlar e limitar os artistas e a produção artística e de despolitizar a arte através de muitos regulamentos diferentes: seja a política de direita e a virada conservadora, ou políticas neoliberais que se esforçam para comercializar a arte e através disso destruir qualquer potencial subversivo e crítico.
  10. Entendemos que iniciar, intervir e perturbar os debates públicos são alguns dos principais objetivos do que fazemos no teatro e na performance independentes, e consideramos nossa obrigação proteger o potencial coletivo, social e político da arte.

Em relação às estruturas (instituições, organizações) com as quais trabalhamos ou das quais somos parte integrante:
Barreiras ao ingresso constituem muitas vezes parte intrínseca das instituições nas quais trabalhamos, restringindo o acesso apenas aos iniciados, e excluindo pessoas, grupos e vozes marginalizados. Reconhecer como estas estruturas que barram o ingresso funcionam e como elas podem ser transformadas é um fator chave para tornar aquelas instituições mais acessíveis. É essencial a geração de acesso para corpos e mentes dotados de diferentes habilidades, mas também para diferentes noções e visões sobre as artes e a cultura. A remoção das referidas barreiras pode ser alcançada mediante pequenas atitudes tais como a de reconhecer e compartilhar os recursos materiais e imateriais aos quais tenhamos acesso.

  1. Defenderemos as instituições públicas e as transformaremos em instituições feministas de cultura.
  2. Apoiaremos ‘instituições de aprendizagem’ que se mostrem prontas a repensar continuamente suas políticas de programação, acesso, comunicação e mediação, e prontas também a atualizar e transformar constantemente a rotina diária de suas operações.
  3. Nos comprometemos a deixar que as pessoas decidam o que é arte para elas.
  4. Criaremos transparência no âmbito interno de instituições e estruturas, isto é, tornaremos transparentes hierarquias e relações de poder.
  5. Nossa luta é no intuito de destituir de poder a diretoria. Isto inclui compartilhamento dos conhecimentos e das estratégias necessárias para permitir acesso a posições diretivas, e transparência das informações relativas a processos de seleção, a fim de encorajar e empoderar vozes subrepresentadas a se candidatarem a tais posições, desafiando, assim, o status quo.
  6. Tornaremos nossas estruturas passíveis de acesso àqueles em posições marginalizadas.
  7. Empregaremos tais estruturas para construir um poder contestatório e um público contestatório.
  8. Concebemos e produzimos o teatro como forma de laboratório social.
  9. Cultivaremos a criatividade e a flexibilidade em nossas práticas, levando em conta a fragilidade, a estabilidade e a instabilidade das posições.
  10. Adotaremos o autoquestionamento como estratégia aceita publicamente.
  11. Não pressionaremos a identidade do artista a sua obra.
  12. Não oporemos limites a ‘migrantes’ ou outros (…) artistas, assegurando- lhes o direito de escolherem seus temas.
  13. Nos pronunciaremos contrariamente à exploração no teatro.
  14. Não esperaremos mais por soluções de cima para baixo, por validação institucional onde estas não existam. Em vez disto, estabeleceremos nossos próprios critérios, criaremos nossas próprias organizações e espaços para a arte em nossas próprias comunidades.
  15. Em face do racismo, do sexismo e da homofobia sistêmicas, desenvolveremos nossas próprias cláusulas a fim de garantir proteção a nós mesmos no ambiente de trabalho. Empregaremos e compartilharemos as ferramentas de base para proteger, conectar e apoiar a nós mesmos, nos moldes da cláusula antirracismo da Alemanha.
  16. Desenvolveremos estruturas de solidariedade, tais como a de trabalhar com coletivos de artistas em nível transnacional, onde abordemos as desigualdades entre diferentes geografias, comprometendo-nos à redistribuição de privilégios. Estenderemos as condições (financeiras e de trabalho) de que desfrutam artistas de países mais privilegiados para os colaboradores oriundos de contextos menos privilegiados, a fim de podermos trabalhar juntos em termos de igualdade.
  17. Identificaremos os recursos materiais e imateriais de que dispomos, sem tomá-los por certo, prestando cuidadosa atenção aos mesmos: nossos corpos, tempo, espaço, conhecimentos, fundos, conexões e privilégios. Aprenderemos a ter consciência dos mesmos e, a partir deles, formar uma reserva de recursos para prestar apoio uns aos outros.
  18. Daremos suporte, compartilharemos e simplificaremos os encargos administrativos dos artistas.

Em relação aos fundos de financiamento:
É essencial que compreendamos as condições econômicas no âmbito das quais trabalhamos a fim de sermos capazes de dividir estratégias que possibilitem a realização do trabalho criativo. A liberdade artística implica em liberdade sem restrições, sejam de ordem comercial ou política. Reconhecemos que o financiamento da produção artística muitas vezes atua como um instrumento do estado para exercer uma branda forma de poder, ou como uma extensão do neoliberalismo para promover a agenda capitalista.  

  1. Admitimos que os artistas necessitem de tempo e espaço para trabalhar, e que isto não é possível face às demandas neoliberais. Apoiamos uma renda básica universal.
  2. Acreditamos que o financiamento público deve se estruturar em torno de micro-organizações de financiamento.
  3. O financiamento público deveria ser distribuído com base nas necessidades da comunidade, conforme definidas pela própria comunidade.
  4. Nosso pedido é por financiamentos destituídos de burocracia. Para indivíduos e pequenas organizações, a burocracia pode vir a representar um encargo insustentável. Ela também serve como um meio indireto de controle e cooptação, estabelecendo limites para a realização de atividades e restringindo tanto artistas como instituições.
  5. Exigimos que as empresas privadas financiem a arte a partir de seus impostos devidos.
  6. Opomo-nos à influência indevida de interesses corporativos nas atividades culturais, e exigimos que o financiamento privado não possa ser usado para camuflar a imagem das corporações. O financiamento de tais interesses, de ordem privada, devem ser isentos de quaisquer demandas sobre o artista.
© Robin Junicke

¹ O Impulse Theatre Festival é a principal plataforma de teatro independente na região de língua alemã (Áustria, Alemanha, Suíça) há quase trinta anos. Durante esse período, o festival mudou repetidamente em termos de cidades e parceiros participantes, seu ritmo e conteúdo. No entanto, o que se manteve constante é que o Impulse mostra obras exemplares que são produzidas fora do sistema clássico de teatro da cidade (que é o modo dominante de produção de teatro na região de língua alemã) e que usam técnicas e estéticas alternativas para testar, estender e questionar o meio do teatro. Sob a direção artística de Haiko Pfost (desde 2018), o festival se concentra em três programas principais, cujas locações se alternam entre as três cidades festivais de Colônia, Düsseldorf e Mülheim an der Ruhr: o SHOWCASE com uma seleção das produções mais destacadas da última temporada , o CITY PROJECT, onde o festival promove a criação de novas obras específicas para o local e o ACADEMY, um fórum para a reflexão crítica permanente sobre as obras e a identidade do teatro independente.

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A Call for More Freedom
A Manifesto to Support Artistic Freedom

© Robin Junicke

This call was compiled by participants of the Impulse ACADEMY #1 – Art Under Pressure / Independent theatre amidst the shift to the right, identity politics and personal responsibility that took place at Ringlokschuppen in Mülheim an der Ruhr from 14 to 17 June 2019, as part of the Impulse Theater Festival²

We share it as a toolkit for thought: 
– a text from which to begin thinking rather than conclude it
–  to initiate conversation
– as a  basis from which to create further forums for discussion
– a document to be added to or amended
– a framework for thinking through the conditions that make artistic freedom possible.

The points were collected together on the last day of the Academy and then shared with the participants for a collective editing process. The Academy included local as well as international participants from diverse backgrounds, geographies and positions in the field of independent performing arts, therefore the statements below do not represent either a homogenous group, nor a unified position. Much rather they share concerns and demands from diverse subject positions, in the form of an agonistic document that contributes to and reflects on current discussions around the freedom of art.

For some strengthening state support and public institutions are ways of securing artistic freedom. In other contexts public funding and infrastructure for the arts is scarce and political pressure manifests itself in forms other than threatened budget cuts. Despite these differences, in this document we seek to find common ground regarding what is needed in order to protect, promote, and grow artistic freedom.

The statements aim first and foremost for structural change on different levels in order to allow for more (artistic) freedom, and respond to the urgencies of our times with a call for transformation. 

Edited by Katalin Erdődi, Rose Gibbs and Julia Tirler.
Translated by Francisco Mallmann and Laura Nicolli.

In our communication:
We understand that prejudice, unconscious bias and structures of power at work also in the cultural field lead to the marginalizing of voices that therefore often go unheard. Addressing our modes of communication, both as listeners and speakers is essential if we are to open up artistic spaces and create more democratic access to artistic freedom. 

  1. We will commit to listening, in order to get acquainted with one another’s positions and to offer everyone the opportunity – time and space – to speak. 
  2. We will give space to confrontations (of ideas), however we will not judge (people).
  3. We consider different languages and modes of expression. We give space to all voices.
  4. We will resist labelling.

In terms of authorship (artistic or curatorial):
We recognise that authorship is complex – both as artists and as curators. If things are going to change we need to rethink our notions of the ‘artist’ , the ‘curator’ as well as power positions such as the ‘artistic director’ (of institutions, festivals, etc). We need to fundamentally change our authorial strategies, root out notions of individualism that make invisible the collective contributions that feed a work and give recognition where it is due. As programmers we must question our planning: we must consider the politics of visibility and representation at work in the programmes that we curate as well as the artistic projects we present and support.

  1. When developing our work/planning our programmes, we will ask ourselves the questions: Who is allowed to/who can create forms? Who has stories to tell? 
  2. We will resist labelling and binaries, both in our works and in our programmes.
  3. We will critically reflect global as well as local hierarchies and engage in eye-level collaboration with our partners.
  4. We commit to thinking inclusion as an everyday practice. 
  5. We will resist pre-given roles and question prevailing frames (of thinking and acting).
  6. We will take the people, as well as the contexts, histories and ancestries we work with into account. We commit to doing (more) research about our content. 
  7. We assume responsibility and accountability for our work and understand dignity and respect as the basis of our interaction and exchange.
  8. We support collective forms of authorship, such as participatory, collaborative and community-based authorship.
  9. We claim the right to be political in the face of attempts to control and limit artists and artistic production, and to depoliticize art through many different regulations: be it right-wing politics and the conservative turn, or neoliberal policies that strive to commercialize art and through this destroy any subversive and critical potential. 
  10. We see initiating, intervening in and disturbing public debates as one of the main aims of what we do in independent theatre and performance, and we consider it our obligation to protect the collective, social and political potential of art.

Regarding the structures (institutions, organizations) we work with or as part of:
Barriers to entry are often part of the institutions we work in, limiting access only to the initiated and excluding marginalized people, groups and voices. Recognising how these barrier structures work and how they can be transformed is key to making our institutions more accessible. It is essential to create access for differently abled bodies and minds, but also for differing visions and notions of arts and culture. Removing these barriers can be achieved through small acts such as the sharing and recognition of the material and immaterial resources to which we have access. 

  1. We will defend public institutions and transform them into feminist institutions of culture. A feminist institution enables regeneration processes that notice, appreciate and gratify both productive and reproductive work as inseparable aspects of activity in the social sphere. We consciously depart from relations and practices based on patriarchal values, such as hierarchy, competitiveness, productivity, in favour of feminist approaches, such as solicitude, collaboration, co-agency, diversity and care for human relationships and for the common good. 
  2. We advocate ‘learning institutions’ that are ready to continuously re-think their politics of programming, access, communication and mediation, and to constantly update and transform the daily routine of their operations.
  3. We commit to letting people decide what art is for them.
  4. We will create transparency within institutions and structures, that is, we will make power relations and hierarchies transparent.
  5. We strive to divest power from directorship. This includes sharing knowledge and strategies needed to access directorial positions and making transparent information about application processes, in order to encourage and empower underrepresented voices to submit applications and thus challenge the status quo. 
  6. We will make our structures accessible from marginalized positions.
  7. We will use these structures to build counter power and counter publics.
  8. We imagine and produce theatre as a social laboratory.
  9. We will keep our practice creative and flexible and take into consideration the fragility, stability and instability of positions.
  10. We will establish self-questioning as a publicly accepted strategy.
  11. We will not pin the artist’s identity on their work.
  12. We will not limit ‘migrant’ or other (…) artists and ensure their right to choose their topics and interests. 
  13. We will speak out against ‘exploitation theatre’: against cultural appropriation, structural racism and other forms of exclusion and repression at work in modes of creation, production and presentation.
  14. We will no longer wait for top down solutions, for institutional validation where they cannot be found. We will instead set our own criteria, create our own organisations and spaces for art for our own communities.
  15. In the face of systemic racism, sexism and homophobia we will create our own clauses to protect ourselves in the workplace. We will make and share the grassroots tools to protect, connect and support ourselves, such as the anti-racism clause in Germany (https://www.antirassismusklausel.de/). 
  16. We will create structures of solidarity, such as transnationally working artists’ collectives, in which we address inequalities between different geographies and commit to re-distributing privileges. We will expand the conditions (working, financial) that artists from more privileged countries enjoy, to collaborators from less privileged contexts, in order to work together on equal terms.
  17. We recognise our material and immaterial resources, we will not take them for granted and will consider them carefully: our bodies, time, space, knowledge, funding, connections and privileges. We will learn to know them and out of them create a pool of resources to support one another.
  18. We will support, share and simplify the artists’ administrative burdens.

With regard to funding:
Understanding the economic conditions within which we work is essential to being able to devise strategies to make creative work possible. Artistic freedom means freedom from either commercial or political constraints. We recognise that the funding of artistic production often works as a tool of the state to exert soft power, or as an extension of neoliberalism that promotes the capitalist agenda. 

  1. We recognise that artists need time and space to work and that this is not possible with the demands of neoliberalism. We support the universal basic income.
  2. We believe that public funding must be structured around funding micro-organisations.
  3. Public funding should be distributed on the basis of community needs, as defined by the community.
  4. We call for funding without bureaucracy. For individuals and small organisations this can be an untenable burden. Bureaucracy can also serve as an indirect means of control and co-optation, setting boundaries to activities and limiting both artists and institutions.
  5. We oblige private companies to fund art from their taxes. 
  6. We oppose the undue influence of corporate interests in cultural activities and stipulate that private funding must not be used to whitewash corporations’ image. Funding from such private interests must be free from any specific demands on the artist.
© Robin Junicke

² The Impulse Theater Festival has been the leading platform for independent theatre in the German-speaking region (Austria, Germany, Switzerland) for almost thirty years. During this time the festival has repeatedly changed in terms of the cities and partners participating, its rhythm and content. However, what has remained constant is that Impulse shows exemplary works that are produced outside the classic city theatre system (which is the dominant mode of theatre production in the German-speaking region) and which use alternative aesthetics and techniques to test, extend and question the medium of theatre.  Under the artistic direction of Haiko Pfost (since 2018), the festival focusses on three core programmes whose locations rotate between the three festival cities Cologne, Düsseldorf and Mülheim an der Ruhr: the SHOWCASE with a selection of the most outstanding productions from the last season, the CITY PROJECT where the festival prompts the creation of new site-specific works and the ACADEMY, a forum for the permanent critical reflection on the independent theatre’s own works and identity.

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